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Conheça os temas do WCD 2021: Consciência ambiental, Interdependência e Regeneração


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É engraçado como tudo se encaixa.

Pensei nisso quando lembrei das ideias sobre o futuro do trabalho e as novas relações interpessoais entre empreendedores e os agentes da economia. É um assunto importante, que se tornou inevitável nestes tempos pandêmicos que vivemos na atualidade. Tão inevitável quanto ele é o debate sobre a nova economia, que começa a chamar a tanto atenção de jogadores ativos do processo econômico.  Principalmente, convida o universo do empreendedorismo a imergir em conceitos que podem mudar nossa relação com o mundo.

Mudança é uma das palavras-chave neste novo movimento econômico. Sem alterações profundas no modo como as escolhas de cada indivíduo são pensadas, não poderão haver novos futuros nos quais a sustentabilidade seja a força-motriz de uma atividade econômica renovada, como um novo olhar para a sua gestão. Mas é preciso entender essas escolhas.

Em geral, costuma-se analisar qualquer escolha mediante um único fator de influência ou, quanto muito, um número limitado destes fatores. Não falo aqui em economia: falo da vida. Só que a teia de influências que afeta as decisões de cada pessoa é enorme. Cada mínimo detalhe conta porque, no final, tudo está interligado. Vivemos em sociedade. E sociedades são, por definição, organizações interativas. Não apenas a vida social é assim. Também a vida profissional é regida pelo pensamento sistêmico.

Uma decisão tomada em uma empresa não afeta apenas o objeto direto desta ação. Ela também afeta todo um sistema e, por consequência, as pessoas que convivem dentro dele. Um ato com intenções positivas, se não for pensado em termos sistêmicos, pode trazer consequências negativas para todo o conjunto envolvido.

Agora pare para pensar.

Sim, pare um pouco.

Quando olhamos para a economia atual, podemos não saber dizer o que está errado, mas sentimos que algo não está certo. Não é mesmo? Há um quê de egoísmo, de competição individual, de conquista de objetivos a qualquer custo. Pense nisto: a qualquer custo. O sucesso avassalador de grandes negócios, tanto atuais quanto no passado, trouxe grandes desequilíbrios sociais e também econômicos. É um pensamento que não considera todas as variantes dentro do sistema. Em última análise, tal rumo de ação sequer leva em conta a necessidade de se pensar as consequências dentro de um sistema.

O resultado? Desequilíbrio.

A nova economia pensa o mundo e suas interações de um modo diferente do padrão vigente hoje em dia. Ela implica em assumir integralmente as intenções de cada decisão tomada, pois decisões geram consequências. Tal responsabilidade se torna, então, o norte de cada ação, pois é a partir de cada ato realizado que se construirá o impacto em nosso mundo, tanto no futuro próximo como no de gerações futuras. Decisões responsáveis tomadas com consciência levam sempre em conta o pertencimento de todo o sistema social, pois cada pessoa faz parte dele, é afetada por ele e, portanto, também é agente de criação econômica. São relações que buscam trazer o reequilíbrio sistêmico, passo a passo, rumo a uma nova realidade econômica.

Precisamos, para isso, construir uma nova narrativa. Uma que mude o rumo da História atual. Uma história que até aqui acentuava desigualdades e gerava miséria de todo tipo: econômica, social, política, moral, psicológica. No caminho que estávamos, o mundo caminhava de modo firme para o rompimento da tessitura social. Uma nova narrativa, criativa, digital e humana, criará uma nova realidade, mais justa e duradoura, justamente por pensar no outro.

Pois é preciso pensar no outro.

Não apenas no próximo, entende? Mas também no desconhecido. É preciso pensar nos que não conhecemos ainda, nos que jamais conheceremos, nos que ainda sequer estão conosco. Este mundo pertence a todos, não apenas aos poucos que realmente se aproveitar das benesses da economia como a conhecíamos até então. É uma economia feita pra o consumo, é uma economia que consome. Precisamos construir uma economia que cure e cicatrize. Sendo o ser humano interpendente, no sentido de que cada indivíduo pode influenciar os demais. Vivemos em uma espécie de rede coletiva e nossa comunicação está dentro de um sistema de relações recíprocas.

A nova economia precisa, pois, de regeneração. É um de seus alicerces, dado o fato que fenômenos isolados podem ter consequências globais como escassez de recursos, matérias-primas e exploração ambiental.

Não falo apenas do óbvio aqui, que é regenerar nosso planeta, nossos recursos naturais, tornando todo o sistema sustentável. Mas também falo da regeneração de ideias, de se regenerar corpo e mente. Pois nosso corpo também é um sistema e, adivinhe: ele também consome e é consumido pela atual economia.

A interdependência é essencial para compreender o mundo. Vivemos em um paradigma de transição entre um sistema econômico, o capitalista, e dominante em todas as relações comerciais e de trabalho; e a interdependência que se manifesta através da especialização, do conhecimento e do futuro do trabalho.

Fernando Pessoa uma vez cantou sobre sua aldeia. Quando o fez, chamou a atenção para o nosso universo mais próximo, mesmo com um mundo grandioso lá fora. Vejo como um chamado para a memória afetiva das cidades e valorização de toda a cultura dos locais, e dos ecossistemas criativos e que se manifestam a partir do respeito mútuo e ativismo entre pares e atores da cidade, da interligação entre os mais diversos espaços, diversidades e cenários das comunidades e cidades. Assim, surgem as inovações e co-criações que sugerem transformações no território e espaços sejam eles virtuais ou urbanos ao estimular a efetiva participação dos cidadãos e o esforço e a utilização conjuntos das distintas inteligências – humana, coletiva e artificial.

Também nós precisamos ter este olhar para nossa própria aldeia, para o que há próximo de cada um: nossos corpos, nossas relações diárias. Quanto mais fizermos isso, mais conheceremos outras pessoas com este pensamento, mais relações regenerativas construiremos. Regenerativas, conscientes, responsáveis, interdependentes. Destas conexões, alcançaremos o Tejo, nos conectaremos com o mundo. É deste modo que já começa a surgir a nova economia. E também o futuro, do trabalho e da sociedade.

Engraçado como tudo se conecta, todas as temáticas até aqui, necessárias para redesenhar um novo mundo! Lhe convido a desenhar novos futuros, a furar bolhas e aproximar realidades, para que juntos consigamos reconstruir uma nova era regenerativa pelas lentes da criatividade, educação, inovação e consciência coletiva. Só dá o play e vem começar essa mudança global e aprender no maior festival colaborativo de criatividade do mundo!

Valesca Bender

Líder do WCD 2021 em Braga, Portugal

Referências: https://ibima.org/accepted-paper/smart-cities-and-creative-differential-contemporary-urban-tourist-settings/