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"Criatividade é a capacidade de ver possibilidades onde parecem não existir" - Wellington Nogueira


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O ator, palhaço e empreendedor social Wellington Nogueira, reconhecido pela fundação do projeto Doutores da Alegria, em 1991, foi o escolhido para abrir as atividades que deram início ao Dia Mundial da Criatividade, realizados nos dias 21 e 22 de abril com extensa programação. No entanto, como houve um prelúdio com uma grade ainda mais ampla de atividades que antecedeu a data, chamado Festival Criativistas, 2020 contou praticamente com um mês da Criatividade.

O que proporcionou esse contexto estendido de milhares de ações transmitidas online por diversos inspiradores, artistas, profissionais e palestrantes foi uma resposta do World Creativity Day, liderado globalmente por Lucas Foster, ao isolamento social recomendado pela Organização Mundial da Saúde para barrar o codid-19 de se espalhar ainda mais.

Isso, de certa forma, deixou o planeta "internado". Entretanto, o WCD viu uma chance de fazer algo positivo com a situação e ninguém melhor do que Wellington Nogueira para explicar como é possível extrair algo de bom de um dos fenômenos mais graves da histórica recente da humanidade. Afinal, a especialidade do clown é justamente lidar com crianças ávidas por deixarem o hospital, mas que precisam se manter ali para se curarem.

O pioneiro, o primeiro Doutor da Alegria, é um ator formado em canto, dança e representação. Vindo do teatro musical, Wellington passou por um processo seletivo rigoroso nos EUA focado em artes que o fez entender a dimensão sagrada e a aplicação do trabalho artístico. Isso afinou sua sensibilidade a ponto de conceber um projeto que rompia com a tradição do público comparecer ao teatro, cinema e circo para fazer o caminho inverso: levar arte ao público para ajudar a curar.

Trilha da cura

A referência que os Doutores da Alegria se tornaram gerou um grau de influência expressivo. Como havia muitos programas que reproduziam o apoio que o projeto concede à crianças hospitalizadas, uma preocupação com a formação e a qualidade das propostas fez com que a ação se aproximasse desses grupos para oferecer treinamento centrado no enaltecimento das crianças e na experiência da alegria como forma de estimular a criança a entrar em contato com o lado mais saudável.

Hoje há um trilha de aperfeiçoamento para quem deseja se associar aos Doutores da Alegria. Cerca de 1500 grupos por todo o país fazem parte do Palhaços em Rede, ação gerida pelos Doutores da Alegria com o objetivo de paramentar as demais iniciativas com segurança e qualidade, e isso só mostra a vocação para escola que já existia na entidade que atua em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.

Calcada na experiência de Wellington, fizemos algumas perguntas ao palhaço especialista em longos períodos de confinamento para comparar esse momento de quarentena mundial ao de uma criança que aguarda em um hospital enquanto melhora dia após dia.

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Que analogia você faria com o momento atual de isolamento social?

O Hospital agora é global e nós todos estamos como crianças hospitalizadas não vendo a hora de ter alta para poder ter uma vida normal. Temos uma máxima no Doutores da Alegria: não negamos o problema e nem a doença, mas nos conectamos ao que está bom porque isso faz com que o paciente se ligue à potencia que possui e gera força para escrever um caminho de recuperação.

Qual o papel da criatividade nessa circunstância?

A meu ver, dentro dessa metáfora, a criatividade é a conexão com a nossa capacidade de ver possibilidades onde parecem não existir. Por isso fiquei tão tocado com o Dia Mundial da Criatividade porque hoje trabalhamos a importância do verbo brincar na fase adulta. Afinal, é parte fundamental no desenvolvimento de uma criança saudável. Em especial as brincadeiras que possuem cooperação. Hoje estamos internados e a conexão com nossa potência vem da criatividade. Uma das maneiras é ativar nossa inteligência lúdica, reacessando a vontade de brincar e de se divertir porque é nessa época que recebemos uma estrutura de interação com a vida e os desafios que ela traz.

Mesmo dentro de um momento severo como esse?

Quando a acaba a brincadeira e alguém diz “Agora a coisa ficou séria” é que começam as neuroses. Desenvolver a capacidade de brincar e interagir traz a habilidade de testar, fazer diferente e desenvolver a criatividade é fundamental nesse momento como o ar que respiramos.

O que você acha mais relevante para que as pessoas atravessem esse momento e retirem algo de bom dele?

Temos que justamente aguçar cada vez mais essa capacidade de adaptação. O confinamento da pandemia vai acabar, mas nós não seremos mais os mesmo após isso. Porque estamos conhecendo um jeito novo de viver. Enfrentar as mudanças que vêm das circunstâncias é positivo. O momento dessa crise é como um papel em branco, uma oportunidade global de reinvenção da nossa relação com a vida e o trabalho. Estamos como crianças aprendendo a brincar em um playground novo e experimentando com os novos brinquedos. É da criatividade que vem as soluções que já estamos compartilhando.

Como você encara esse momento?

O ponto de partida é questionar: “O que me faz feliz?” O trabalho é uma grande intervenção divertida e oportunidade de aprendizado. O primeiro passo é tentar, fazer e ver o que dá certo e dá errado. É hora de se jogar sem julgamentos porque isso inibe o processo criativo, ou seja, é hora fazer com a espontaneidade de uma criança que se arrisca e se lança a uma brincadeira. É brincar com os desafios. Exercitar livremente a ludicidade, os jogos e o brincar para acordar e tirar sua capacidade criativa do rame-rame do que já é conhecido.